O Papel da Alimentação Escolar na Prevenção de DCNTs

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Nos últimos 20 anos, a globalização trouxe um novo estilo de vida, que resultou em uma adoção alimentar pouco saudável do ponto de vista nutricional. Este fato, aliado ao crescimento do sedentarismo e exposição maior ao estresse físico-emocional decorrente da industrialização, urbanização e desenvolvimento econômico, apontam para um panorama de comorbidades, resultando em dados apresentados no evento e dispostos abaixo. (dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

 A analise destes índices demonstra a transição nutricional que vem sofrendo hábitos e costumes, com maior consumo de uma dieta rica em gordura saturada e açúcares, levando a transtornos metabólicos precoces. Essa composição alimentar tem sido considerada responsável por aumentar o número de vítimas de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), fato constado de forma alarmante no mundo. Estima-se que, anualmente, cerca de 18 milhões de pessoas morram de doenças cardiovasculares, originárias do diabetes e da hipertensão arterial. Segundo artigo publicado pelo New England Journal of Medicine, essas enfermidades são decorrentes da obesidade.

Em face dessa realidade, torna-se urgente o desenvolvimento de ações de prevenção, o que significa antecipar o fato, fazer uma leitura prévia e identificar situações sociais inadequadas que, a curto, médio e longo prazos, possam trazer prejuízos à população. É inquestionável a existência de iniciativas importantes nos âmbitos de prevenção desenvolvidos nos mais variadas setores do governo, das universidades e da sociedade em geral. Entretanto, constata-se, ainda, um vazio de ações, projetos e programas que tratem a questão da prevenção de maneira integrada, principalmente, quando se trata de programas de alimentação escolar.

 FATORES DE RISCO E PROGRAMAS DE ALIMENTAÇÂO ESCOLAR 


 

Cresce em importância social as ações direcionadas à prevenção no âmbito escolar a fim de evitar que as crianças tornem-se “de risco” ou que “as crianças de risco” adquiram sobrepeso. Desta forma, é possível pensar na prevenção secundária, que visa impedir a gravidade crescente da obesidade e reduzir a morbidade entre crianças com sobrepeso e obesidade, considerada uma das causas e variáveis de doenças coronárias, cerebrovasculares, diabetes, cânceres, e, por isso, deve ser objeto de transformação social.

Ainda é preciso considerar alguns estudos epidemiológicos e experimentais realizados com animais que têm sugerido que as primeiras experiências nutricionais do indivíduo podem afetar sua susceptibilidade para doenças crônicas na idade adulta, tais como obesidade, hipertensão, doença cardiovascular e diabetes tipo 2 desde a primeira infância. Trabalhos (Serdula et al.) encontraram um risco, pelo menos, duas vezes maior de obesidade na idade adulta para crianças em relação as não-obesas, indicativos de que cerca de 1/3 dos pré-escolares e 50% dos escolares obesos tornam-se adultos obesos.

No Brasil, mais de 15% das crianças são obesas e 50% estão acima do peso ideal, sendo que menos de 3% dessa totalidade apresentam alguma alteração endócrina ou metabólica. Isso significa que mais de 95% delas são obesas devido a causas exógenas, como excesso de alimentação e/ou falta de atividade física, por exemplo. Dessa maneira, estabelecer a prevenção e o tratamento precoce são essenciais. Esta iniciativa deverá ser estrategicamente apoiada em intervenção monitorada, que avaliada continuamente, poderá resultar na execução de programa de alimentação escolar preventivo e compromissado, além de ser inserido ao mesmo a obrigatoriedade da prática de atividade física, sendo estes fatores responsáveis por  modificar o perfil nutricional e alimentar do alunado.

Conclui-se que é consenso no mundo científico que cerca de 70% das crianças obesas serão adultos obesos e boa parte delas tem, pelo menos, um dos pais portadores dessa distrofia. Vale lembrar, ainda, que o risco para obesidade é crescente, sendo prevalente em crianças cuja obesidade iniciou-se na infância e apresenta maior dificuldade em relação à perda de peso. O cuidado com a educação nutricional e avaliações constantes exigem dos RTs (responsáveis técnicos) o acompanhamento/monitoramento, a definição de um plano amostral confiável e instrumentos validados, bem como ferramentais/protocolos de acompanhamento da curva de crescimento e o Índice de Massa Corpórea (IMC) para estimar tendências e intervenções no alunado. Em municípios com universidades, recomenda-se estabelecer avaliações continuadas e com parceiras a fim de estabelecer acompanhamento e fomentar outras estratégias de atendimento.

   

  


Por: Fenerc Admin

tags: alimentação escolar
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